segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Por Parte de Pai" em cartaz no Rio de Janeiro


Por Parte de Pai, título homônimo do livro autobiográfico de Bartolomeu Campos de Queirós, estreou neste sábado e ficará em cartaz até o dia 6 de outubro no Teatro Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro.

Encenado por Nathália Marçal, com direção de André Paes Leme, figurino e cenário de Ronaldo Fraga, trilha sonora de Pedro Veríssimo, luz de Renato Machado e produção de Tatyana Rubim, o monólogo resgata – poeticamente, entre descobertas e perdas – a infância de um menino ao lado do avô, no interior de Belo Horizonte.

"Tentamos ser fiéis ao livro e manter a sua fluidez. Eu não quis transformar a narrativa, busquei trabalhar com o traço natural do texto que favorece uma teatralidade épica", explicou o diretor André Paes Leme, que já montou ao menos 10 espetáculos a partir da literatura e foi o responsável pela adaptação da peça.

Bartolomeu Queirós, falecido em janeiro, era mineiro e teve mais de 45 obras publicadas. Ele fazia parte da Academia Mineira de Letras e recebeu diversos prêmios por seu trabalho, entre eles o Jabuti – maior condecoração literária do país –, o Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil em 2008, o Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres (França), a Medalha Rosa Branca (Cuba) e o Diploma de Honra da IBBY de Londres. Além disso, idealizou o Movimento por um Brasil Literário e trabalhou em projetos de incentivo à leitura patrocinados pela Biblioteca Nacional e pelo Governo de Minas Gerais. 

Serviço
Dias: Sexta a domingo
Horários: Sexta e sábado às 21h, domingo às 20h
Ingressos: 5,00 reais (inteira) e 2,50 reais (meia entrada)
Local: Teatro Maria Clara Machado (Planetário)
Endereço: Rua Padre Leonel França, 240, Gávea
Telefone: 2274-7722

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O paraíso literário de Miriam Mambrini


Miriam Mambrini acaba de publicar seu quarto romance – e oitavo livro. Ninguém é feliz no paraíso (Ímã Editorial, 2012), que levou dez anos para ser concluído, mistura ficção com pitadas de realidade. É com ela, aliás, que Miriam rega cada uma de suas obras, como relembra nesta entrevista. Aqui a escritora – que tem textos premiados em diversos concursos, entre eles o Stanislaw Ponte Preta – fala sobre suas inspirações, obras preferidas e projetos futuros.

Ninguém é feliz no paraíso conta a história de Cássio, que se refugia numa praia paradisíaca para esquecer os problemas do mundo. De onde veio a ideia para este que é o seu quarto romance?
Ninguém é feliz no paraíso nasceu deste título, que uma mulher chamada Lúcia me deu. Gostei do título, pensei em escrever um conto. Como essa história, na minha cabeça, só podia se passar onde Lúcia morava, a praia de Manguinhos, em Búzios, que eu conhecia muito bem, pensei na praia e nas pessoas que lá moravam, cada uma com a sua história. Mas minha imaginação já tinha ido além e colocado nessa praia personagens que nunca estiveram lá, como a atriz de Hollywood aposentada e um certo argentino. Lembrei-me de uma família que se dizia dona daquela terra, da mulher com uma trança branca e um brinco só e de seu filho esquizofrênico, do Leleide, que no livro virou Tonho, buziano nato que, sem que se entendesse como, foi lambido por uma onda enquanto pescava. Gosto de mistérios, de enigmas. O crime, literariamente, me seduz. Então surgiram mortes misteriosas na Ponta do Criminoso. A história dessa praia não cabia num conto, só um romance podia retratá-la. Mas faltava um fio condutor: alguém que chegasse a essa praia com uma carga de sofrimento, pois, se Velas, nome que dei à praia, era um paraíso, Lúcia dizia que ninguém é feliz no paraíso. Criei Cássio, atormentado pelo remorso, com seu rosto sombrio. Cássio foi conhecendo Velas e as dores de sua gente. Só depois que Lúcia morreu, uns três anos após me dar o título, é que de fato comecei a escrever o romance. De alguma maneira inexplicável, me senti compromissada com ela. No total foram mais de dez anos de trabalho.

Você se deixou inspirar por algumas experiências pessoais em Ninguém é feliz.... Isso aconteceu também nas outras obra?
Isso me acontece com frequência. Em As pedras não morrem, por exemplo, parti do fato de estar guardada na minha casa, em algum lugar, a máscara mortuária de minha avó. Eu fantasiava muito em torno dessa máscara, que nunca tive coragem de olhar, e dessa avó, morta em Dresden muito antes de eu nascer. Me coloquei na pele de Irene, a protagonista, para viver com uma intensidade doentia minha obsessão, leve na vida real, pela avó. Em O crime mais cruel, parti da experiência de acompanhar de perto a angústia de uma família que tem um de seus filhos sequestrado. Na ficção, o sequestrado era uma criança e a família se estruturava de forma totalmente diferente da que viveu o sequestro na vida real. Criei um tio, Próspero, que narra o passado da família e ensaia escrever um romance policial. Assim, temos duas histórias que se entrelaçam: o sequestro real (na ficção, naturalmente) e o sequestro inventado pelo nada próspero Próspero, aprendiz de romancista. O livro mais pessoal de todos os que já escrevi foi Maria Quitéria, 32. Ali estão crônicas que contam em primeira pessoa episódios da minha infância em Ipanema nos anos quarenta/ cinquenta. Hesitei muito em publicar esse livro, por ser autobiográfico. Resolvi fazer uma edição pequena, destinada apenas a meus amigos, mas a menina de Ipanema fez muito mais sucesso do que eu esperava e, atendendo ao meu editor Elio Demier, resolvi colocar alguns livros apenas nas livrarias de meu bairro.

Além dos romances, você publicou três livros de contos e um de crônicas. O que muda na hora de escrever cada um dos gêneros?
O conto, breve, centrado numa única ou poucas ações e personagens, pede uma concentração de recursos, enquanto o romance exige uma acumulação, um desenvolvimento lento. Sou fã do conto, que se aproxima até certo ponto da poesia, que me parece o gênero literário mais expressivo. Infelizmente não sou poeta, mas o conto permite, pelo menos no que me diz respeito, mais liberdade para voar pela metáfora e a linguagem figurada do que o romance. No conto, é raro eu aproveitar experiências de minha vida pessoal, uso mais a imaginação. Nesse território versátil, tanto posso matar mendigos, como ser prostituta. Aí, tenho ciúmes, me vingo e, com muita frequência sou homem. Uso o humor, de forma mais deliberada, e ensaio pequenos passos na área do fantástico. Passei a escrever romances porque alguns textos começaram a crescer demais, havia muito a dizer, muito a esmiuçar, de modo que eles não caberiam num conto. Nos meus dois primeiros livros, O baile das feias e Grandes Peixes vorazes, incluí textos vencedores em vários concursos, como os de Paranavaí, (PR), Ourinhos (SP), São Bernardo do Campo (SP), Niterói e Rio de Janeiro (o então muito prestigiado concurso Stanislaw Ponte Preta).

É possível destacar, entre tantas obras, a mais especial para você? Por quê?
É difícil para a mãe dizer de que filho gosta mais. Todos têm importância, por uma razão ou por outra. No momento, acho Vícios ocultos mais especial por se tratar de um filho injustiçado, pouco divulgado, que não teve chance de mostrar o seu valor. Cada um dos meus outros livros viveu seu pequeno momento de glória. As pedras não morrem e O crime mais cruel, por exemplo, foram vendidos para o PNBE. Muita gente se identificou com Maria Quitéria 32Ninguém é feliz no paraísoestá tendo boa repercussão. Vícios Ocultos ainda precisa de mim e só por isso é mais especial.

E para o futuro, tem algum novo projeto em mente?
Para um futuro próximo, tenho dois. Participar do livro Mapas de viagem, junto com meu grupo Estilingues, composto por sete escritores, juntos há quase 25 anos, num projeto que começou em 2010 com a publicação de Amores vagos. O projeto prevê a produção e distribuição gratuita de livros de contos, que, uma vez lidos, devem ser passados adiante. O objetivo é estimular a leitura da boa ficção brasileira. O segundo projeto é concluir o romance ainda sem título em que venho trabalhando nos últimos tempos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Entre o conto e o romance

Contista premiada, Lucia Bettencourt estreia no romance com O amor acontece (Record). Com prosa leve e diálogos ágeis, narra a história de amor (e humor) entre Fábio e Mariana, jovem escritora que se julga incapaz de se apaixonar. Mas à medida que escreve seu novo romance, ambientado em Veneza, é convencida por Fábio de que o amor ainda existe e pode acontecer até entre as páginas de um livro. Nesta entrevista, Lucia fala sobre conto e romance, suas inspirações e desafios como escritora. "Fiz questão de mostrar que a literatura nos leva a qualquer lugar do universo sem nos tirar de nossa poltrona preferida", revela.

O amor acontece é seu primeiro romance, depois de dois livros bem-sucedidos de contos. Por que mudar?
As editoras brasileiras implicam com o gênero "contos", apesar de nossa literatura ter uma tradição longa e vigorosa de extraordinários contistas. Cito apenas um, que acaba de ganhar o Prêmio Machado de Assis, conferido pela Academia Brasileira de Letras, e que nunca escreveu nada além do gênero - Dalton Trevisan. No entanto, os editores acreditam que é um gênero pouco comercial e insistem em perguntar se já não está na hora de um romance... Acabei satisfazendo a Editora Record.

O que este livro traz de novo à sua arte?
Gostei muito de escrever O amor acontece, pois é uma história leve, muito cheia de humor. Na verdade, ri muito ao escrevê-la. Mas também fiz longos trechos em diálogo direto, sem narrativa, quase que pequenas cenas teatrais, alternando-as com pequenos trechos narrativos da "autora" do romance. Minha presença se dilui, retirei-me de cena e dei voz a meus personagens, que me surpreenderam com sua vivacidade.

Qual a diferença essencial entre o conto e o romance? E como isso aconteceu na sua obra?
Esta diferença tem sido estudada por vários professores de literatura, e muitos falam da extensão da obra, outros falam de uma trama singular, poucas personagens, etc. Prefiro ficar ao lado dos escritores que deixam o trabalho de conceituação aos críticos, e limito-me a repetir Mário de Andrade, que dizia que conto é tudo aquilo que o autor chama de conto. Na verdade, existem quase que tantos tipos de contos como histórias a ser contadas... Bem, é um pouco de exagero, mas o conto varia, tem sub-gêneros (fantástico, de fadas, policial...). Gosto da linha seguida por Cortázar, de contos precisos como nocautes (é dele a ideia de comparar a leitura a uma luta de boxe, dizendo que um romance ganha o leitor por pontos, mas que o conto ganha por nocaute). Digo que escrevo contos porque sou curiosa e ansiosa: quero logo chegar ao final e descobrir o que acontece. Pois, apesar de ser a autora, são os personagens que conduzem minhas histórias.

De onde veio a inspiração para sua história (o amor, seus desencontros – e reencontros), seu cenário (Veneza) e seus personagens (Fábio e Mariana)?
Acredito em amor, vivi uma linda história de amor, e não posso compreender um mundo em que ele não tenha papel predominante. A Mariana, a princípio, perdeu as esperanças de encontrar um amor, não acredita mais em seu papel preponderante na vida. Só depois ela descobre que o amor é construído por nós mesmos, e não temos que ficar esperando que um príncipe encantado apareça e nos faça felizes. A felicidade é construída pelo próprio sujeito, mas é muito melhor quando compartilhada. A Veneza é um cenário, todo retirado de guia de viagens. Eu já tinha ido à cidade antes, mas nada do que escrevi tirei de minhas memórias. Fiz questão de mostrar que a literatura nos leva a qualquer lugar do universo sem nos tirar de nossa poltrona preferida... Fábio e Mariana são tirados da observação e de muitas leituras. Mas confesso que emprestei ao Fábio algumas características do meu marido, que foi meu grande amor por ser uma pessoa tão adorável como o Fábio.

Quais foram os prazeres e os desafios na hora de escrevê-la?
Como já disse antes, ri muito com o diálogo doido dos personagens, que não têm censura, falam o que lhes vem à cabeça. Como eu estava fora do texto deles, não apareço nem sequer em rubricas, pude deixar que tivessem toda a liberdade de que precisavam. Mas é muito difícil se conservar assim à parte em seu próprio texto, é uma coisa que a própria conversa entre Mariana e Fábio revela, essa tendência a dominar a vida de nossas criações. Mariana é, portanto, o meu contrário - controladora, ela impõe sua vontade e sua visão de mundo. Os personagens dela têm o final que ela deseja desde o princípio, e embora ela tenha sua vida modificada, não dá a mesma chance às suas criações. Creio que este é o maior desafio para um autor: deixar que a verdade de suas criações apareça no texto, apesar das suas próprias crenças.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Histórico e existencial


Segundo livro de Marcela TagliaferriExílio (Ímã Editorial, 2012) conta a história de um personagem que esteve 15 anos num manicômio, em plena ditadura militar. Em conversa à Shahid, Marcela – que também é historiadora – fala sobre seu processo de pesquisa, suas referências (reais e literárias) e as possibilidades do livro digital.

Resumidamente, qual é a trama de Exílio?
Vicente foi trancafiado por 15 anos num manicômio, isolado da mulher e do único filho. De volta à sua casa, descobre que foi manipulado por uma rede de intrigas montada pelo sogro – empresário anticomunista atuante no governo militar e fundador do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que coordenava a propaganda ideológica anticomunista) – com o objetivo de mantê-lo afastado da filha, por quem sente paixão.

De onde veio a ideia para o livro?
Eu trabalho com imagens e conheço a história de uma pessoa que ficou internada 20 anos num manicômio. A partir daí veio a ideia de escrever sobre o tema. Criei um protagonista que vivenciasse esta separação, perdesse as suas referências. Ao fazer as contas do tempo para trás, percebi que podia cair na ditadura brasileira, o que aumentaria e muito a angústia da situação vivenciada por ele. Afinal, em tempos de exceção todos nós nos tornamos exilados em diversos sentidos.

Como sua experiência como historiadora influenciou na construção desta narrativa, ambientada em plena ditadura militar?
Ela contribuiu principalmente na pesquisa para a montagem do cenário literário, a partir de fontes fidedignas. E criei um cenário de acordo com a ideologia anticomunista disseminada na época através do IPES. Pesquisei a partir do livro 1964: a conquista do Estado (Editora Vozes, 2006) de R. Dreyfuss, uma referência sobre o tema, entre outras leituras sobre tortura e manicômio. Além de ser um cenário inédito na ficção brasileira.

Quais as dificuldades de escrever sobre o tema? Você chegou a ouvir pessoas, fazer pesquisas?
Foram muitas, porque não é um tema fácil. Foi um momento muito difícil de nossa história e juntei dois aspectos: o histórico e o existencial. Contudo, justamente por não ser um romance histórico, o fundamental era trabalhar a verossimilhança. Por isso fiz pesquisas em textos históricos, conversei com pessoas, tive a ajuda do meu analista, Luiz Alfredo Millecco, na confecção de um personagem perverso, um torturador, além de ler muito sobre manicômio, ver filmes e conversar com a psiquiatra Fernanda Gueiros.

Além da versão impressa, Exílio também circula em versão digital. Quais as vantagens deste novo suporte?
A tecnologia só vem agregar à circulação de informação e conhecimento. Vivemos numa sociedade em rede, vejo como mais uma ferramenta. Facilita em muitos aspectos: você pode levar vários livros dentro de um tablet caso for viajar, ler em qualquer lugar, pelo telefone. Apesar de adorar o livro impresso, não me sinto ameaçada pelo livro digital, ao contrário, ainda mais no Brasil, onde não existe biblioteca nem livraria em todos os cantões do país. Agora, o importante é saber utilizar da melhor forma. Mas, sozinhos, nem o meio digital, nem o impresso, formam leitores – a grande questão do nosso país.

OFF FLIP reunirá mais de 100 escritores em Paraty



Mais de cem escritores estarão reunidos este ano na programação da OFF FLIP em mesas de debate, painéis, sessões de leitura, saraus e lançamentos. Entre os nomes confirmados estão os clientes e amigos da SHAHID Ângela Dutra de Menezes, Celina Portocarrero, Lucia Bettencourt, Marcela Tagliaferri e Paula Cajaty.

O novo cenário criado com a chegada dos livros digitais será tema de duas mesas de debate que reunirão escritores e editores no Silo Cultural (sexta à tarde) e na Casa Clube de Autores (sábado de manhã).

Destaque também para a mesa “Escrituras & festas literárias”, na qual quatro escritores falarão de seu trabalho criativo e dos eventos literários que organizam: Carla Nobre (Feira do Livro do Amapá), Carlito Lima (Festa Literária Internacional de Marechal Deodoro - FLIMAR - AL), Carlos Henrique Schroeder (Festival Nacional do Conto e Feira do Livro de Jaraguá do Sul – SC) e Ovídio Poli Junior (OFF FLIP).

Outros eventos que prometem atrair bastante público são o sarau de lançamento da coletânea de poemas Amar, verbo atemporal (com a presença da organizadora Celina Portocarrero) e o sketch baseado numa entrevista imaginária com Drummond com a participação de Alfredo Ebasco, Ninfa Parreiras e Solange Jouvin (integrantes do grupo Trata-se de Ficção).

O agito fica por conta da edição especial de cinco anos da Picareta Cultural (organizada por Caio Carmacho), dos saraus do coletivo Arte em Andamento e do recital “Amazônia em versos” com o grupo amapaense Abeporá das Palavras. Destaque também para o sarau com os vencedores do Prêmio OFF FLIP de Literatura e para o bate-papo com os vencedores do Prêmio SESC de Literatura, que acontecerão na CASA SESC.

O caldeirão cultural da OFF FLIP terá ainda exposições, mostra de filmes, oficinas, rodas de estórias, apresentações teatrais e musicais. Os eventos da OFF FLIP são gratuitos e acontecem em vários locais da cidade. A programação completa está no site www.offflip.paraty.com.

Base da OFF FLIP - Rua Dr. Samuel Costa, 12 - em frente ao pátio da Casa da Cultura (Centro Histórico), das 10h às 22h.

Um grande abraço,
Ovídio Poli Junior
Coordenador da OFF FLIP

terça-feira, 19 de junho de 2012

E o prêmio vai para...

... a escritora Sheila Moura HueEscritora Revelação 2012 segundo a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil por seu romance infanto-juvenil O livro negro de Thomas Kyd (FTD, 2011).

O livro conta a aventura de Thomas Kyd numa viagem marítima de uma ponta a outra do globo, partindo da cidade portuária de Plymouth, na Inglaterra, até o Rio de Janeiro. No comando está Thomas Cavendish, o navegador mais célebre de seu país. Durante a travessia do Atlântico, Thomas Kyd se maravilha com fenômenos naturais, animais marinhos e tempestades violentas, à medida que sua visão de mundo se transforma, influenciada pelos novos saberes.

A aventura do personagem de Sheila ultrapassou as páginas do livro e virou inspiração para os alunos de uma escola. Aqui você confere o belo trabalho da turma nas aulas de português.

Doutora em Letras pela PUC-Rio, Sheila é também editora-adjunta da Revista Camoniana e especialista em Estudos Camonianos e Relatos de Viagem do Renascimento. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Poesia sonora e radioativa em Roterdã


O poeta e artista sonoro Márcio-André estará na 43ª edição do Festival Internacional de Poesia de Roterdã – um dos eventos literários mais prestigiados da Europa que já recebeu escritores como Pablo Neruda, Octavio Paz, Joseph Brodsky e Ferreira Gullar.

Entre os dias 12 e 17 de junho, Márcio lerá seus textos em português – enquanto versões em inglês e holandês são exibidas em telões – e discutirá sobre sua obra multimídia, livre das plataformas convencionais. “O livro não pode hoje suportar sozinho a responsabilidade de levar a poesia para a praça pública, para o povo”, defende.

Com quatro livros editados, o jovem artista carioca é hoje referência em poesia experimental no Brasil. Traduzido em mais de dez idiomas, ganhou notoriedade internacional pelo recital que fez em Chernobyl, onde permaneceu por seis horas lendo poesia enquanto se contaminava por césio.

Márcio já foi colaborador de O Globo, Jornal do Brasil e O Estado de Minas e esteve em eventos como o Festival do SilêncioBalada Literária e Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra. Vive hoje em Lisboa e acaba de lançar Ensaios Radioativos na Espanha. Para conhecer seu trabalho de perto, visite o site http://www.marcioandre.com/