segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Letras e/& artes ganha edição fac-similar 50 anos após sua descontinuação


50 anos após ter sua publicação interrompida, a polêmica página literária letras e/& artes ganha uma edição fac-similar comemorativa. Publicada aos domingos no jornal Diário do Paraná entre 1959 e 1961, o suplemento é resgatado em uma edição organizada pelo o cineasta, poeta e escritor Sylvio Black, editor original das 85 edições de letras e/& artes. “Inexplicavelmente, às vezes a logomarca saía com ‘e’, outras, com ‘&’’’, explica Sylvio o motivo da grafia atual do nome do caderno.


Nas páginas do letras e/& artes, compareciam com regularidade Mario de Andrade, Celina Silveira Luz, Roberto Muggiati, Adherbal Fortes de Sá Jr., Walmir Ayala, Jairo Régis, entre vários outros, contribuindo com ensaios, críticas, poemas e ilustrações. Seu conteúdo refletia as discussões em voga na época: cultura popular, existencialismo, marxismo, arte engajada, a relevância da poesia, da literatura, do teatro e do cinema brasileiros. As opiniões dos contribuidores muitas vezes despertava polêmicas da “micro-intelectualidade curitibana”, como define Sylvio, mas os leitores remetiam cartas e telefonemas elogiosos, dando fôlego à publicação.


A nova edição, com tiragem de 500 exemplares, não será comercializada. Terá distribuição nacional para bibliotecas, universidades e academias literárias. A nova letras e/& artes conta com financiamento da Itaipu Binancional, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, através do projeto gráfico e editoração de Rita de Cássia Solieri Brandt e de Adriana Salmazo Zavadniak, e da seção paranaense da Biblioteca Pública do Paraná, onde está arquivada a coleção original do jornal.


Sylvio tinha apenas 22 anos quando iniciou a publicação do suplemento. “Para dar conta dessa inédita empreitada, tínhamos total liberdade de expressão e opinião. Jamais a editoria foi admoestada ou censurada, nem constrangida a publicar texto não solicitado”, afirma. 




por Rodrigo Canuto

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sísifo desce a montanha, de Affonso Romano de Sant'Anna


Se para algumas pessoas temas como angústia, morte, Deus ou limitações humanas são soturnos, para Affonso Romano de Sant'Anna essas são reflexões cotidianas. Seu novo livro de poesia Sísifo desce a montanha (Rocco) continua seu projeto poético, aprofundando questões de obras anteriores. Diretor da Biblioteca Nacional entre 1990 e 1996, criador do Sistema Nacional de Bibliotecase do PROLER (Programa de Promoção da Leitura), logo na epígrafe, Affonso evoca Clarice Lispector para avisar que Sísifo... é também um exercício de "deseroização" de si mesmo. Leia abaixo entrevista com o autor. 


Quanto tempo levou escrevendo e reunindo as poesias que compõem Sísifo desce a montanha? Os poemas abarcam qual período da sua vida?
Esses poemas foram escritos durante a vida toda. Cada poema foi escrito antes dele mesmo. Mas os exprimi, purguei, escrevi nos últimos anos. 


Como você escreve poesia? Anda com um caderno de anotações sempre à mão ou senta e escreve?
Ou ela me atropela ou eu a invoco. Caderninho ou qualquer papel urgente para anotar. Um dos segredos é estar atento ao que a gente sopra para a gente mesmo. E selecionar. Ou esperar amadurecer. 


Costuma retrabalhar muito os versos ou respeita a forma espontânea com que se manifestam?
Há poemas que levaram seis anos de trabalho explícito. Uns podem ser espontâneos, mas outros, por exemplo, os escritos durante a ditadura, contra a situação, eram sentidos por um lado e planejados por outro. 


Você já teve alguma crise de criatividade? Como aconteceu o desbloqueio?
A crise é normal.Várias vezes tive a certeza de que jamais escreveria poesia de novo. Quanto ao ensaio e à crônica, não pode haver bloqueio, é o escritor profissional que atua dentro e ao lado do outro instintivo. 


O programa de incentivo à tradução de escritores brasileiros no exterior, criado por você quando era presidente da Biblioteca Nacional, foi retomado. O que acha que pode acontecer nesse novo momento?
Ainda bem que foi ampliado e retomado. Há 20 anos foi um esforço de exportação de nossa cultura. Fizemos reuniões com agentes literários estrangeiros aqui, com diretores de suplementos literários estrangeiros, feiras internacionais, clipping de notícias para os brazilianistas (não havia internet) e oBrazilian Book Magazine, etc. Mas falta muita coisa. Acho que hoje deveria ter um projeto pra financiar não só os tradutores, mas até as editoras estrangeiras. Não dá para esperar mais 500 anos pra ver o Brasil acontecer. 


Você é um dos maiores divulgadores e batalhadores do incentivo à leitura, é o criador do PROLER. Como se leva uma pessoa adulta a gostar de ler? E uma criança?
Todo mundo tem direito à leitura, há técnicas diversas para isto. Há programas para babytecas, crianças no maternal e para adultos em asilos. A todo momento sei de histórias de operários, pescadores, aposentados que redescobrem a leitura. Dizer que só se aprende a gostar de ler na infância é papo de quem nunca trabalhou na área. 


Quais são seus planos agora?
Ihh! Bota plano nisto. O enigma vazio vai sair em italiano e a tradução para o francês está pronta. Desconstruir Duchamp está em alemão aguardando o editor.Barroco do quadrado à elipse já está em espanhol traduzido pelo Manolo Graña que traduziu também A grande rala do índio guarani. Para 2012 um novo livro de crônicas pela L&PMComo andar no labirinto, reedição de Análise estrutural de romances brasileirosMúsica popular e moderna poesia brasileira e talvez eu faça o terceiro volume de Poesias Reunidas (L&PM). Ah, sim, vou editar meus textos e os de Marina sobre Clarice Lispector, acompanhados da entrevista que fizemos com ela no MIS (Museu da Imagem e do Som) em 1977. E quem sabe o audiolivro com contos dela — Laços de família — que gravei sai em 2012?



Por Rodrigo Canuto e Valéria Martins 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Ilha, de Flávio Carneiro


“Confiar em romances é como confiar nas ondas do mar”, sentencia o bibliotecário franciscano que narra Ilha, novo livro de Flávio Carneiro. Em um futuro indeterminado, após uma catástrofe ambiental, todos os continentes são cobertos por água, sobrando apenas uma ilha. A rotina da ilha paradisíaca é afetada pela chegada de mapas dentro de garrafas sugerindo a existência de um continente não muito longe dali. Ao mesmo tempo, locais vão desaparecendo: o cais, o mercado, ruas. Nada é o que parece nesse romance em que as fronteiras entre o real e o imaginário se esvanecem.
Ilha é o terceiro romance da Trilogia do Rio de Janeiro, na qual Flávio Carneiro dialoga com diferentes gêneros literários: depois do passeio pelo policial em O Campeonato e o flerte com o fantástico em A Confissão, chega a vez da ficção científica em Ilha. Leia abaixo entrevista com o autor.


Por que um livro de ficção científica?
Este é o terceiro romance do que chamei de Trilogia do Rio de Janeiro. São romances com histórias independentes mas que têm em comum o Rio como cenário. Busquei, em cada um deles, fazer um diálogo com um gênero popular. O primeiro, O Campeonato, é um policial. O segundo, A Confissão, caminha pelo fantástico. E agora, em Ilha, optei pela ficção científica, ambientando a história num Rio do futuro e homenageando assim não apenas a cidade mas um gênero de que gosto muito.


A história de "A ilha" é mirabolante. De onde surgiu o enredo?
Eu dirigia pela estrada, indo de Teresópolis para o Rio, e quando já estava no Rio e avistei as montanhas, o Pão de Acúcar, pensei: e se um dia quase tudo isso que estou vendo fosse água? Se sobrassem apenas as montanhas, se o resto da cidade fosse parar sob as águas? Foi daí que veio a ideia.


Estão na moda filmes que buscam "quebrar" ou, no mínimo, instigar a nossa lógica - assim como "A ilha": "A origem", "Sem limites". Você assistiu? Gosta desse gênero de filmes? Quais são seus filmes favoritos de ficção científica?
Gosto sim. Sempre busco nos meus romances criar uma lógica particular, interna, que coloque em xeque a ordem que temos como normal. Gosto de alguns filmes de ficção científica, como os que você citou, mas o meu preferido, disparado, é Blade Runner, do Ridley Scott.


Você mora fora do Rio de Janeiro. Em que isso ajuda e/ou atrapalha ser escritor nos dias de hoje?
Não atrapalha porque estou sempre perto do Rio, no caso de precisar dar uma entrevista em rádio e TV ou participar de algum evento literário. E ajuda porque em Teresópolis tenho mais sossego, mais silêncio pra escrever.


Quais são seus próximos planos?
Não sei ainda. O mais provável é que retome o gênero policial.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Luis Novais lança "Os Parricidas" no Brasil



Luis Novais lança Os Parricidas (Novo Século), com noite de autógrafos na terça-feira, 18, na livraria Argumento no Leblon, Rio de Janeiro.

"Foi a treze de maio que avistei o Diabo". É desta forma que o anti-herói deste livro começa a descrição da sua saga. A saga de uma mente esquizofrênica, alucinada pela missão que lhe foi dada pelo Diabo, e que nos é assim descrita: "Por fim ele levou a cigarrilha à boca. Sorveu-a pausadamente: como se fosse dono do tempo. Expirou uma baforada: como se continuasse dono do tempo. Olhou-me nos meus. Disse-me tudo o que me disse naquela aparição. Disse-o com uma voz indefinível: simultaneamente imperativa e melodiosa..." Seguem-se outras quatro aparições e a promessa de um sinal. Mais do que um livro escrito na primeira pessoa por um alienado mental, Os Parricidas nos faz refletir sobre os pés de barro dos nossos dogmas civilizacionais e nos lança nos abismos das pseudocertezas do homem moderno.

Serviço:

Lançamento Os Parricidas

Data: Terça-feira, 18 de outubro

Horário: 19h30

Local: Livraria Argumento

Endereço: rua Dias Ferreira, 427 - Leblon - Rio de Janeiro

quarta-feira, 3 de agosto de 2011



Você gosta de escrever?

Participe do ciclo de encontros

O escritor como guia
Pelos caminhos do conto, prosa e poesia

Carlito Azevedo, Lúcia Bettencourt e Tatiana Salem Levy falam sobre as artes da poesia, conto e romance, respectivamente, no ciclo de encontros O escritor como guia – pelos caminhos do conto, prosa e poesia, promovido pelo SESC Rio em três quartas-feiras de agosto (10, 17 e 31), de 14h às 18h, nas unidades do SESC Tijuca, São João de Meriti e Teresópolis. O propósito é estimular a leitura e a expressão escrita por toda pessoa que goste de ler e escrever.

Ao longo do mês os três escritores passarão pelas três unidades do SESC, em formato de circuito. Cada encontro terá roda de leitura, bate-papo com o autor, exercício prático e comentários. Funciona assim:
• No início do encontro, um representante do SESC Rio apresenta o escritor.
• O convidado faz uma breve palestra de 20 minutos contando sua trajetória para se tornar escritor.
• Começa a roda de leitura com o escritor lendo um capítulo ou trecho de um de seus livros.
• Em seguida, as pessoas fazem perguntas e o escritor responde.
• Coffee break.
• O escritor faz uma breve palestra sobre a criação literária e propõe um exercício prático. Os alunos têm meia hora para escrever.
• Os alunos que quiserem podem ler seus textos. O escritor comenta e os participantes comentam.
• Encerramento.

Classificação etária: a partir de 14 anos. Vagas limitadas. Entrada franca.

Informações e inscrições: 2755-6828 (S. João de Meriti); 21-2743-6942 (Teresópolis); 3238-2064/2121 (Tijuca)/ SESC Rio; 3079-2048; Shahid

Escritores
Carlito Azevedo – Vencedor do Prêmio Jabuti com o livro de poesias, Collapsus Linguae (1991); editor da página Risco, no suplemento Prosa & Verso, do jornal O Globo.

Lucia Bettencourt - Vencedora do Prêmio SESC de Literatura 2005 na categoria Contos com o livro A secretária de Borges (Ed. Record)

Tatiana Salem Levy - Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura 2008, categoria Autor Estreante, com o romance A chave de casa (Ed. Record).


Serviço:

Dia 10 de Agosto
SESC Tijuca – Lúcia Bettencourt
SESC S. João de Meriti – Tatiana Salem Levy
SESC Teresópolis – Carlito Azevedo

Dia 17 de Agosto
SESC Tijuca – Carlito Azevedo
SESC S. João de Meriti – Lúcia Bettencourt
SESC Teresópolis – Tatiana Salem Levy

Dia 31 de Agosto
SESC Tijuca – Tatiana Salem Levy
SESC S. João de Meriti – Carlito Azevedo
SESC Teresópolis – Lúcia Bettencourt

Endereços
SESC/Tijuca – Rua Barão de mesquita, 539 – Tijuca – RJ
SESC/São João de Meriti – Av. Automóvel Clube, 66 – Centro – São João de Meriti – RJ
SESC/Teresópolis – Rua Delfim Moreira, 749 – Centro – Teresópolis – RJ

Realização: SESC Rio
Curadoria e produção: Shahid Produções Culturais

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Jogar-se à vida - Ruy Castro fala sobre o Solar da Fossa na Folha de S. Paulo

Jogar-se à vida

RIO DE JANEIRO - Uma velha amiga minha de São Paulo -nem tão velha assim, e muito bonita- me diz que seu filho, de 39 anos, mora com ela. Não é que "ainda" more com ela. Ele apenas mora, desde o dia em que nasceu, e não há indícios de que esteja planejando se emancipar e morar sozinho. A mãe, a essa altura, já desistiu de fazê-lo desconfiar de que ela, sim, gostaria de um pouco de espaço (e privacidade) para viver sua própria vida.

Ao ouvir isso, levei um susto. Aos 39 anos, eu já tinha saído não só da casa de meus pais como de dois casamentos, e morado em dez endereços de quatro cidades em dois continentes. Era só no que os garotos da minha geração pensavam -jogar-se à vida, longe da saia materna ou da mesada paterna. Supunha-se que, enquanto se morasse com a família, estava-se dispensado da maturidade.

Um desses endereços, em 1967, foi o Solar da Fossa, um casarão colonial em Botafogo, perto do túnel Novo. Nele tinham ido parar rapazes e moças de fora e de dentro do Rio, todos em busca de liberdade para criar, trabalhar, namorar ou não fazer nada, enfim, viver. Ali, um dos moradores, Caetano Veloso, compôs "Alegria, Alegria"; outro, Paulinho da Viola, "Sinal Fechado". Grupos como o Momento 4, campeão dos festivais, e o Sá, Rodrix & Guarabyra se formaram em seus quartos.

Três de nossas lindas vizinhas estrelaram as páginas de "Fairplay", a primeira revista masculina do Brasil: Betty Faria, Itala Nandi e Tania Scher. Paulo Leminsky escrevia seu romance "Catatau". O pessoal do Teatro Jovem, que estava revolucionando o teatro brasileiro, morava lá, assim como metade do elenco de "Roda Viva", em ensaio no outro lado do túnel. Os namoros eram a mil. Até o autor francês Jean Genet, de passagem pelo Solar, se enrabichou por um dos nossos.

Se aquela turma morasse com a mãe, nada disso teria acontecido.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

I Feira Literária de Tocantins

A atriz Fernanda Montenegro, o presidente da Bilbioteca Nacional, Galeno Amorim, e grandes estrelas da literatura brasileira, entre elas, quatro autores da agência Shahid - Ana Paula Maia, Angela Dutra de Menezes, Guilherme Fiuza e Nei Lopes - fazem parte da programação da I Festa Literária de Tocantins - FLIT (AQUI, SE NÃO CONSEGUIR ATIVAR O LINK, COLOQUE POR EXTENSO) -, que começa nesta segunda-feira, 25 de Julho, e vai até 3 de agosto.

A festa acontece em Palmas, capital do estado de Tocantins, e é um desdobramento do Salão do Livro do Tocantins, que emplaca o seu sétimo ano. O tema que alinhava a feira de livros, desta vez, é a Diversidade, já que em 2011 comemora-se o Ano Internacional dos Povos Afro-Descendentes, o Ano Internacional das Florestas e o Ano Internacional da Química. Por isso, é muito apropriado convidar Nei Lopes, que acaba de lançar o Dicionário da antiguidade Africana (Record); Angela Dutra de Menezes, que falará sobre a influência das culturas árabe, judaica e portuguesa na colonização brasileira; e Guilherme Fiuza, cujo romance Amazônia 20º andar (Record) conta a história de uma empresária carioca que largou tudo para apostar na economia da floresta. Ana Paula Maia, por sua vez, vai divulgar seu lançamento mais recente, Carvão animal (Record).

Laurentino Gomes, João Gilberto Noll, Ruy Catro, o português Miguel de Souza Tavares, Marina Colasanti, Thalita Rebouças, Cristóvão Tezza, entre outros, completam a programação, que também inclui apresentações de música e de teatro. Estima-se que mais de 500 mil pessoas visitem a FLIT 2011.

Veja abaixo a agenda dos escritores de Shahid no evento:

Guilherme Fiuza, dia 27 de Julho, quarta-feira, às 20h30 no Auditório Juarez Moreira Filho.

Nei Lopes, dia 28 de Julho, quinta-feira, às 17h no Auditório Juarez Moreira Filho.

Angela Dutra de Menezes, dia 29 de Julho, sexta-feira, às 16h no Auditório Juarez Moreira Filho.

Ana Paula Maia, dia 2 de agosto, terça-feira, às 20h40 no Café Literário.








por Rodrigo Canuto